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Vamo lá Barão! Bingo é um filmão!

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Vamo lá Barão! Bingo é um filmão!

Bingo – O Rei das Manhãs é um filme sobre um palhaço que não é brincadeira, não! Nessa produção de quase duas horas, conhecemos a história tragicômica de Augusto Mendes, o ator por baixo maquiagem, com suas conquistas, lutas e principalmente suas derrotas.

A trama é sutilmente inspirada na vida de Arlindo Barreto, um dos atores que interpretou o Bozo no inesquecível programa infantil do SBT, porém com uma boa dose licença poética para um melhor desenvolvimento da trama. Agora, que mais nos impressiona (e encanta de certa forma) é o fato de que algumas passagens bem controversas e inusitadas, como um ator da pornochanchada virar apresentador de programa infantil, fazem parte da vida real.

Mesmo tendo uma estrutura simples de ascensão, queda e redenção (sendo as duas últimas um tanto rápidas) o longa é encantador, alternando momentos de humor, drama e melancolia num ritmo incrível.

Daniel Rezende que dirige o filme, prova que realmente tem um metrônomo na cabeça (qualidade muito destacada pelo elenco nas entrevistas) ao empregar uma linguagem visual envolvente e enérgica: seja para mostrar a passagem do tempo, ou apresentar os cenários de forma grandiosa, Rezende nos faz passear por cada detalhe do filme usando de forma magistral grandes sequências sem cortes , aumentando assim a imersão na história. Com uma fotografia cheia de cores excessivamente saturadas, combinando tanto com uma caracterização de palhaço, quanto com os exageros estéticos dos anos 1980. Além disso, as luzes de neon, a maquiagem pesada, os cabelos cheios de laquê, as roupas e ritmos ousados da época, vão ao encontro de outro excesso de Augusto no filme: o vício em cocaína.

A matemática do cinema é muito simples. Roteiro bem escrito mais uma direção excelente é igual a um elenco brilhando muito. Vladmir Brichta, que encarna o personagem principal, é a grande estrela do longa, nos mostrando, de forma sensível e emocionante, o drama de um homem atormentado com as dificuldades de uma carreira irregular, que ao alcançar uma posição de destaque tem que continuar como um ilustre desconhecido, já que ninguém pode saber a identidade do famoso palhaço. Mesmo seguindo por caminhos cada vez mais sombrios ao longo da história, o humor e a acidez continuam presentes na atuação de Brichta, como em sua frase-chave para se concentrar no personagem: “Vamo lá Barão!”

Leandra Leal, que interpreta Lucia, diretora do programa, mostra mais uma vez a grande atriz que é, e escapa de todos os clichês que quase sempre vemos em personagens religiosas, como uma beata que na verdade é devassa, ou um alívio cômico. Ela consegue apresentar uma mulher firme e contida, sem ser caricata em momento algum.

Com direção e atuações memoráveis, Bingo – O Rei das Manhãs, é um filmão! Muito mais que uma simples cinebiografia é um retrato sem concessões ou freio de uma época que gerou muito mais sobreviventes do que apenas testemunhas

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Trailer do Filme

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