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Fala, seu loser! Frances Ha

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Fala, seu loser! Frances Ha

Estávamos cobrando essa estreia há muito tempo. Não foi nosso pedido original, mas acabou que Benito Vasques finalmente topou escrever  para este site. E escolheu fazer o début com sua avaliação de um filme. E mal sabe o quanto ficamos felizes em abrir esse espaço para que ele apareça vez ou outra por aqui para dividir conosco (e com vocês) suas sensações sobre coisas que também gostamos: filmes, livros, música. Bem-vindo e volte sempre, Benito.

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Frances Ha

por Benito Vasques

Ajustar-se, procurar um norte, aprumar-se, dar um rumo na vida. Extensos sinônimos que não significam nada a não ser deixar o mais doce sabor da juventude apenas nos álbuns de fotografias, ou na memória, como preferires, leitor. Dirás ser possível ouvir estrelas e ainda assim engolir o sapo e o mico de fastidiosos dias de trabalho.

Certo é que o bom da irresponsabilidade, do vagar nas tardes se preocupando apenas em ser feliz com aqueles sonhos plenamente realizáveis, isso não!

Em Frances Ha, irresistível comédia de Noah Baumbach (A Lula e a Baleia), Greta Gerwig (numa atuação primorosa) depara-se com o limbo desilusório que representa o fim da casa dos vinte anos, especialmente para aqueles e aquelas que insistiram até o quanto foi possível erguer o Porta Estandarte da autenticidade, livre de qualquer concessão.

francesha

Greta Gerwig

Ela já se formou na universidade, já se emancipou, já enfrentou a urbe e o amor, mas não se acha. Comunga a extensão de suas aventuras com a amiga Sophie (Mickey Summer), essa já a passos largos de deixá-la livre para si mesma, defronte a incapacidade de nosso tempo em rimar o querer e o poder.

Frances finalmente precisa decidir entre um sorriso discreto e uma gargalhada solitária, que sem ouvidos, parece doidera. Mas ela e o diretor do filme sabem que com humor é mais safo o caminho a se seguir, o que torna o filme uma experiência pra lá de prazerosa.

Com tema musical de David Bowie, Frances Ha é uma pedida mais que obrigatória para que, rindo, lembremos que em algum momento, talvez entre uma segunda-feira e um findo aniversário, as irremediáveis decepções da protagonista nos reapresentam às derrotas que insistimos em esquecer.