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Crítica: Turma da Mônica – Lições

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Crítica: Turma da Mônica – Lições

Quando começou, o projeto Graphic MSP parecia apenas uma forma legal de mostrar personagens da Turma da Mônica sob o olhar de outros artistas. Após oito edições e um grande sucesso de público e crítica, fica claro que essa foi uma das decisões editoriais mais acertadas da Maurício de Souza Produções ao longo dos últimos anos, numa equação vantajosa para todos: a própria MSP, os artistas convidados (na maioria independentes) e, claro, os leitores.

Turma da Mônica – Lições é a mais nova obra de arte dessa galeria, lançada no mês passado. Foi novamente escrita e ilustrada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi, com a colaboração de Paula Markiewicz na colorização. E como não ser fã dessa dupla? (e aqui vai uma dica aleatória: leiam também os quatro volumes de Valente, do Vitor).

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Se a compararmos com a primeira aventura narrada pelos Cafaggi (Turma da Mônica – Laços) essa vai mais fundo na questão da amizade. Ironicamente, os quatro protagonistas passam muito pouco tempo juntos, já que todos estão sendo castigados por seus pais por conta de uma travessura na escola.

Enquanto Mônica, em um novo colégio, tenta se enturmar e se livrar de um valentão, Cebolinha não tem mais a amiga para protegê-lo de Tonhão, um dos “garotos da rua de baixo”. Cascão e Magali não estão menos encrencados, pois precisam lidar, em seus próprios castigos, com seus maiores temores.

A condução do roteiro passa (não sabemos se propositalmente) um ar de “filme da Sessão da Tarde”. A história caminha por fases de riso e tristeza, quase na mesma proporção. A distância não é fácil para nenhum deles, por motivos distintos. O que traz uma dose certa de melancolia em determinados momentos.

Algumas das mais belas passagens são as de aproximação das crianças, em gestos de desobediência contida: a singela troca de cartas entre Mônica e Magali, o sacrifício do sonho de Cebolinha para ajudar Cascão e até mesmo uma reação inesperada de Mônica a um desenho a retratando como gorducha.

A arte está, novamente, sublime. Inclusive nos detalhes, como o cabelo do Cebolinha, o joelho ralado da Mônica, o estilo gata borralheira da Magali e a forma como o Cascão é desenhado, fazendo o leitor perceber, só pelo traço, o quão descolado e “safo” ele é.

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Há também referências a elementos da cultura pop dos anos 80 e 90 e ao próprio “MSP-verso”. Além disso, a criançada está ensaiando para a apresentação de Romeu & Julieta, uma homenagem dos autores àquele que talvez tenha sido o primeiro grande sucesso da turma fora dos quadrinhos: a peça de teatro de 1978, em que Mônica era Julieta e Cebolinha interpretava Romeu (ou “Lomeu”).

Ao escolher falar essencialmente sobre amizade sem colocar os amigos juntos por muito tempo, a dupla aborda a saudade, a necessidade de apoiarmos uns aos outros e de entendermos as qualidades e defeitos de cada um.

Com um texto que vai crescendo em emoção conforme nos aproximamos do fim, Turma da Mônica – Lições é a continuação (e evolução) perfeita para Turma da Mônica – Laços. O que nos faz pensar em apenas uma coisa: quando vem a próxima?