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Crítica: Quarteto Fantástico – uma história insossa em três atos

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Crítica: Quarteto Fantástico – uma história insossa em três atos

“Poxa, eu queria ter gostado!”

Antes de entrar no cinema para ver Quarteto Fantástico, estava com uma mistura de sentimentos. Por um lado eu queria muito gostar do filme, afinal, o grupo merecia uma redenção depois dos dois equívocos de antes (2005 e 2007). Por outro, já havia lido algumas críticas, e o cenário não era promissor.

Não que o longa, no fim das contas, seja horrível. Mas falta muito para podermos dizer que é bem melhor que os anteriores. A trama é boa (ou aceitável), mas a estrutura do roteiro joga contra o tempo inteiro. O espectador até se diverte um pouco, mas a “culpa” é quase toda das cenas de ação (de longe, o ponto alto da produção).

O primeiro ato é arrastado demais (leva quase uma hora para acontecer o incidente que os transforma). Começa mostrando como Reed Richards (pequeno gênio incompreendido) conhece Ben Grimm (estereótipo de quem vive em um ferro-velho). Tempo perdido, já que esse trecho só serve para nos convencer de que eles são amigões inseparáveis.

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Após alguns anos (e onde o filme poderia até começar – daria na mesma), Frank e Sue Storm (pai e filha cientistas) visitam o trabalho da dupla em uma feira de ciências escolar. Depois disso: estudos, estudos, trabalhos e um antagonista caricato (nerd de games e fã de música clássica, aparentemente). Não compramos sua tendência à vilania em nenhum momento, assim como chega a ser risível que umas doses a mais de álcool sejam o estopim para algo tão importante no roteiro.

No segundo ato o ritmo melhora um pouco, e mesmo assim basicamente porque vemos o grupo em ação. E é só aí que percebemos quão superficial são as relações entre todos que estão em cena. Desde um antagonista que precisa fazer cara de desdém mascando um chicletinho, só para ficar claro que se trata de um sujeito inescrupuloso, até a relação dos irmãos (sendo que Susan é adotada, como um diálogo faz questão de deixar bem claro momentos antes).

Mas a história desanda mesmo é no trecho final. Se a primeira parte é arrastada e na segunda finalmente conhecemos os heróis que dão nome ao filme, aqui tudo é muito largado. Tanto a previsibilidade das ações do vilão (sério, roteiristas, vocês não têm nada mais criativo para inventar como motivação?) quanto a união do quarteto para derrotar o Dr. Destino parecem ser jogadas de qualquer jeito. E quando Reed, em um momento de derrota parcial, busca a força necessária para se reerguer e voltar ao ataque, o espectador não está com ele. É difícil acreditar nele, assim como é difícil acreditar que o inimigo se deixa enganar com um truque digno de Os Trapalhões e que a luta acaba do nada. Do nada mesmo.

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E, como se não bastasse, no final nossos heróis precisam escolher um nome para a equipe que passaram a formar. Sobre essa parte, digo apenas uma coisa: Fox, devolva para a Marvel, por favor!

Chega a ser uma pena. Os atores principais (Miles Teller, Kate Mara, Michael B. Jordan e Jamie Bell) são bons, as cenas de ação e a forma como o uso dos poderes é mostrado também. Pensando bem, acho que isso justifica minha exclamação ao final do filme:

“Poxa, eu queria ter gostado!”

Crítica escrita após a pré-estreia do filme na cidade de Santos/SP, como parte da segunda edição do Nerd Cine Fest, realizado de 5 a 11 de agosto de 2015.